Caminhadas na Serra do Gerês – Os Percursos do Paraíso

 

O objectivo deste nosso artigo é dar-vos a conhecer as melhores e mais bonitas Caminhadas na Serra do Gerês.

Como todos sabem a magnífica Serra do Gerês é das serras mais bonitas de Portugal e do mundo.Alguns dos seus recantos são verdadeiramente espectaculares .

Desde as belas e conhecidas Cascatas , à vida selvagem , à sua vegetação autóctone ,aos seus picos escarpados com formas de pessoas e animais, fazem desta Serra um autêntico paraíso deste nosso pequeno país.

A Serra do Gerês é a 2ª serra mais alta depois da Serra da Estrela .

O pico mais elevado é o Alto da Nevosa com os seus 1545 metros de altitude e o Pico do Sobreiro com 1538. Destes dois picos falamos mais um pouco na Caminhada das Minas de Carris.

 

O Parque Nacional da Peneda-Gerês

O Parque Nacional da Peneda-Gerês é uma das maiores maravilhas Naturais de Portugal quer pela rara e impressionante beleza paisagística e pelo valor ecológico, gastronómico e etnográfico e pela variedade de fauna , os conhecidos Corços que é emblema do PNPG, os garranos selvagens, os temidos lobos, as aves de rapina, etc.

Nas Caminhadas na Serra do Geres há as cascatas com água cristalina , há santuários , há barragens , há castelos , há boa comida , há bom vinho e maravilhosamente há pessoas simples honestas , trabalhadoras e cheias de histórias para contar.

Há também a Ponte da Mizarela que segundo a lenda foi construída pelo demónio. Nesta ponte travou-se uma importante batalha contra os franceses aquando das invasões, em que os populares saíram vitoriosos, derrotando assim o exército francês.

O Parque Nacional da Peneda-Gerês é considerado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera.

Os mais belos locais do Parque Nacional Peneda Gerês podem ser vistos e contemplados ( apenas para quem estiver habituado a fazer caminhadas em Montanha) na nossa semana de Caminhadas na Serra do Gerês .

Vamos então calçar as botas e descobrir quais as mais bonitas Caminhadas na Serra do Gerês:

 

 

Caminhadas na Serra do Gerês – Fenda da Calcedónia e Miradouros.

O percurso da Fenda da Calcedónia e miradouros é a primeira escolha para as Caminhadas na Serra do Gerês

Esta é a 1ª caminhada que realizamos na Serra do Geres . Escolhemos esta por ser a mais acessível em distância a altimetria . Serve também para testar algum equipamento novo ou pouco usado.

O ponto alto desta caminhada é a passagem pela fenda da Calcedónia, uma passagem com cerca de 80 metros embutida entre penhascos e pedregulhos em que se testa a perícia de cada participante.

No final da fenda no cimo do monte uma vista maravilhosa sobre a albufeira da Caniçada , a povoação de Covide e toda a zona envolvente .

A Norte fica o Penedo da Curvaceira e a Oeste lá ao longe os píncaros do Cabeço do Cantarelo, a Oeste o Alto das Albas.

Esta caminhada não podia ficar completa sem a passagem pelos magníficos Miradouros da Junceda , Miradouro da Boneca , O penedo das Lamas , o Trilho da Silha dos Ursos e no final beber a água fresca da fonte das Lamas.

Veja as fotos na galeria das Caminhadas na Serra do Gerês

 

 

 

Caminhadas na Serra do Gerês – Subida ao Pé de Cabril

O trilho com subida ao Pé de Cabril é a segunda escolha para as Caminhadas na Serra do Gerês.

Para iniciarmos esta caminhada podemos ter 2 pontos de início , o primeiro na Casa florestal da Junceda , o segundo na Casa florestal do Leonte.

Casa florestal da Junceda

Se começarmos na Junceda passamos pelo Ribeiro do Sarrilhão e pelo Prado Gamil ( este já fica um pouco fora de percurso , mas vela a pena lá ir visitar ) e por umas formações rochosas abruptas que nos leva a pensar da sua formação.

Com um olhar mais cuidado depressa imaginamos várias formas de caras e perfis . O Penedo do Pé de Cabril fica um pouco mais a frente.

Casa Florestal do Leonte

O início pela Casa Florestal do Leonte é mais difícil devido à altimetria do terreno inicial. É sempre a subir até encontrar a bifurcação da Varziela e Pé de Caril. A bifurcação fica logo a seguir ao local denominado- Cancelo.

Chegados ao Prado do Tirolirão o cume do Pé de Cabril já espreita envergonhado entre os rochedos. Está na hora de fazer a subida ao Cume.

A subida ao cume não é muito difícil de realizar para quem está habituado, mas é preciso ter cuidado porque um pé em falso ….e a queda é valente. A parte mais complicada é os últimos 10 metros.

 

Subida ao Pé de Cabril

Para alcançarmos o cume temos obrigatoriamente de passar por uma passagem estreita e contornar o monte pelo lado Este. 15 minutos depois estamos lá em cima .

Existe uma pequeníssima ferrata para chegar a Santa localizada no alto de um cume. Do outro lado (a Sul ) existe também outro cume que se pode subir com cuidado.

No alto dos seus 1236 metros avista-se grande parte das escarpas e montanhas da Serra do Gerês.O alto do Borrageiro, a Roca Negra, o Pé de Medela, a albufeira da Barragem de Vilarinho das Furnas, o penedo da Calcedónia, a Caniçada e ao longe o fantástico penedo do Cabeço do Cantarelo.

 

 

 

Caminhadas na Serra do Gerês – Pico do Borrageiro e Rocalva

É dos mais bonitos percursos que se pode realizar na Serra do Gerês , quer pelas suas paisagens magnificas quer pelos penedos que nos acompanham durante todo o percurso.

Nós na Andamento Turismo Aventura já realizamos este percurso de diversas maneiras, a começar na Portela do Leonte ou a começar nas Cascatas do Arado. Qualquer deles é magnifico.

Desta vez vamos iniciar na Portela do Leonte pelo simples facto que mais tarde iremos realizar outra caminhada com inicio no Arado com o destino – o Poço Azul.

 

O Prado Mouro ou do Vidoal 

Do Leonte espera-nos uns 40 minutos sempre a subir até ao Prado Mouró ou do Vidoal . Aqui podemos descansar um pouco e apreciar a magnifica vista que este prado nos proporciona.

Junto do abrigo existe uma mesa que dá para almoçar ou lanchar , um pouco mais abaixo existe uma nascente de agua fresca.

É habitual estar aqui uma grande quantidade de gado, é o gado da raça barrosã e Cachena. No ano de 2019 quando por aqui passámos estavam uns 100 animais que rapidamente se dirigiram curiosos até nós. Eles não fazem mal mas é melhor deixar alguma distancia de segurança.

Depois de dezenas de fotografias lá seguimos sempre a subir até ao local denominado – Chã da Freza . Daqui contempla-se uma magnifica vista sobre todo o Vale do Teixeira. Com toda a certeza vale a pena passar aqui uns bons minutos a observar a paisagem.

Junto a um pequeno marco geodésico subimos até a Chã da Fonte e ao Arco do Borrageiro. Vale a pena desviar uns metros e subir lá a cima .

No percurso até ao Arco do Borrageiro existe uma pequena nascente com agua fresca que possibilita encher o cantil.

 

O Pico do Borrageiro

Contornado o monte à nossa frente logo começamos a ver lá no alto a velha antena de telecomunicações , é o pico do Borrageiro mas embora para o conquistarmos ainda temos de subir um pouco mais, porque vale bem a pena.

Do cume a 1430 metros a vista é inegavelmente soberba , virados para Oeste ao longe temos o Pé de Cabril , a Sul a Roca Negra e Chã de Pinheiro, para Norte o alto do Pé de Medela , o Alto das Albas e o Cabeço do Cantarelo , a Nordeste ao longe o Pico da Nevosa e o pico do Sobreiro e a Este as Portas Ruivas , o Borrageiro II , o alto dos Chamicais etc.

 

O Prado da Rocalva

O Caminho para o Prado da Rocalva é sempre a descer , a meio da descida ainda subimos à Roca Negra com 1386 metros que está no lado direito.  Depois da trufeira chegamos ao Prado da Rocalva.

Vale a pena passar aqui um bom bocado apenas a ouvir e a sentir os sons da Natureza. Ao lado do abrigo existe uma nascente de agua fresca.

Se continuarmos em direcção norte ,o pedregulho granítico que está a nossa direita é o Penedo da Rocalva (1365 metros). É simplesmente notável esta formação rochosa e merece bem uma observação mais cuidada.

Um pouco mais à frente do lado direito está o alto da Mourisca (1367 metros) , a partir daqui é sempre a descer até ao Prado do Conho ou Conhó.

 

O Prado do Conho

O Prado Conho também tem também uma beleza indescritível . A Quantidade de gado a pastar era cerca de meia centena. A meio do Prado existe uma formação rochosa que eventualmente parece um munir, é um Conho , é esta formação rochosa que dá o nome ao Prado. Junto da Cabana existe também uma fonte que dá acima de tudo para abastecer.

A cerca de 2 km a norte deste estão outros prados que também entretanto vale a pena uma passagem , são os Prados da Messe. Para os mais bem preparados podem ainda subir ao Alto das Albas e ao Pé de Medela.

Do Prado do Conho para regressarmos ao ponto inicial antes que se faça noite, ainda temos a subida rochosa até às duas mariolas que lá no alto nos indicam o caminho. A partir daqui depois da trufeira é sempre a descer pelo caminho realizado anteriormente até ao inicio.

 

 

Caminhadas na Serra do Gerês – O Poço Azul 

O conhecido Poço azul é uma das maravilhas da Serra do Gerês . Durante a nossa anual semana de Caminhadas na Serra do Gerês o Poço Azul é um local de passagem certamente obrigatória.

As águas frescas mas cristalinas da cascata do rio Conho são de uma beleza inegavelmente indescritível. Toda a paisagem ao redor e o percurso é do mais belo que esta Serra nos proporciona. Ao fundo para Norte vemos o impressionante penedo do Cutelo de Pias do lado direito da montanha . Parece que vai cair , isto deve-se a perspectiva que se tem do local devido a sua inclinação.

Um bom local para iniciarmos este percurso é nas conhecidas Cascatas do Arado. Aqui há duas hipóteses , ou vão pela Corga da Giesteira , Cabana e Curral da Curriscada, Arrocela e descem pelo rio Conho até ao Poço Azul que é o percurso mais bonito.

Ainda assim, em alternativa podem percorrer o percurso no sentido Este pela fonte das Letras , Fonte da Malhadoura , Curral da Vezeira da Ermida e Ponte das Servas. Habitualmente nas cabanas estão os pastores , vale bem a pena conversar um bom bocado , ninguém melhor que eles conhecem a história e costumes da região.

Para terminar a caminhada exige-se um banho nas Cascatas do Rio Arado bem como as ultimas memórias fotográficas no alto do Miradouro das Rocas.

 

 

 

Caminhadas na Serra do Gerês – As Minas de Carris

 

A Caminhada às Minas de Carris é de entre todas a mais difícil e longa, contudo a mais bonita. Chegar às antigas minas de Carris não é fácil para quem não esteja habituado a grandes caminhadas de Montanha.

Para chegarmos às minhas de Carris podemos iniciar esta longa caminhada de três locais distintos, eventualmente serão os mais conhecidos.

O primeiro e o mais frequentado tem inicio na Portela do Homem a fronteira entre Portugal e Espanha até ao Vale do Rio Homem , a encosta do Sol. É deste percurso que vamos falar.

O segundo a iniciar pelas terras espanholas junto à vila de Bubaces na Ermida de Nossa Senhora de Xurês em Vilameá. O percurso mais pequeno é este. 

O terceiro a iniciar na vila de Xertelo junto das muito conhecidas 7 lagoas com passagem pelo Alto dos Chamiçais  e Lamalonga. Este é o de maior distancia mas de uma beleza ímpar.

 

Percurso para as Minas de Carris 

Descendo então a formosa estrada florestal da Mata da Albergaria chegamos às Cascatas do Rio Homem. Depois da ponte existe uma antiga cancela que sinaliza a passagem pelo caminho de Carris. Agora é sempre a subir , nada tem que enganar.

O Caminho é mau , muito cascalho , cheio de pedras soltas , no inicio requer muita atenção, mas à medida que vamos subindo a paisagem é surpreendentemente cada vez mais bela.

O percurso até ao Curral das Abrótegas é sempre feito lado a lado com o rio Homem e possibilita nos dias de muito calor, uma bom banho refrescante , é isso que fazemos no regresso.

Nos dias chuvosos temos a grande Cascata da água da Pala e de fronte desta outra no cabeço Alto. Passado a Agua da Pála temos a ponte  da ribeira do Cagarouço e mais à frente a ribeira do Madorno , um bom local para a primeira paragem.

Ao longe no meio da falésia se virados para Sul ,vemos os píncaros abruptos do Lombo do Burro e do Alto do Cidadelhe. Um pouco mais a frente chegamos à ponte das Àguas Chocas e depois a ponte das Abrótegas. O Outeiro Redondo é o monte que rodeamos virados para Norte.

As Minas de Carris

Chegado às Minas de Carris vale bem a pena percorrer todos os belos recantos desta antiga exploração de Volfrâmio. A probabilidade de aqui encontrarem os cavalos selvagens e as selvagens cabra-montês que servem de repasto para os valentes lobos é bastante elevada.

Junto da represa é local e hora para refeição. O Pico do Sobreiro , o Altar dos Cabrões e o Pico da Nevosa esperam por nós ao longe. Para os que não quiserem realizar este trecho da caminhada podem regressar pelo caminho feito anteriormente ao ponto inicial.

Pico da Nevosa 

Durante muitos anos pensava-se que o Pico do Sobreiro era o mais alto da Serra do Gerês , existem antigos mapas e descrições que o descrevem assim.  Do Altar dos Cabrões descemos e subimos a longa encosta em direcção ao Pico da Nevosa.

Junto do marco fronteiriço nº 117 está a subida para o cume da Nevosa a 1545 metros de altitude. O pico do Sobreiro tem 1538 e o Altar dos Cabrões 1490 metros.

O caminho de regresso ou é realizado pelo vale do rio Homem, ou para os mais experientes, pelos cumes da montanha sempre junto dos marcos fronteiriços até à Portela do Homem. 

Muito havia para dizer, muito havia para escrever e muito para sonhar com este local paradisíaco. Fizeram-no inúmeros escritores como Miguel Torga que nos deixa estas palavras imensas sobre o Gerês.

 

“Altar de Cabrões, 9 de Agosto de 1944 – Estou a mil e quinhentos e trinta e seis metros, perto do céu, a ver o Barroso, o Marão, a Peneda, a serra Amarela e o Lindoso.

Estou sentado num marco que separa Portugal de Espanha, mas o sítio chama-se Altar de Cabrões e foi, como se vê, o olimpo de majestades cornudas, a ara de alguns daqueles sagrados deuses lusitanos, de que só restam nomes e cascos. Cada vez sei menos de rezas e de santos.

Mas quando pressinto pegada de velho Endovélico, tenho logo vontade de me prosternar e benzer. O catolicismo, sem o Cristo querer, encheu este mundo de cruzes e água benta.

Ora estes nossos patrícios deuses de chifres eram portadores de uma virilidade mágica, que não nega nem degrada a natureza. Nada de agonias lentas em madeiros de cedro. Água, frutos, sol, e uma divindade fundamentada na verdade feiticeira das coisas”.

Miguel Torga, “Diário III”

 

 

 

Caminhadas na Serra do Gerês

Caminhada à fenda da Calcedónia e Miradouros , Caminhada e subida ao Pé de Cabril, Caminhada ao Pico do Borrageiro e Rocalva , Percurso do Poço Azul e Caminhada às Minas de Carris são por certo alguns percursos imprescindíveis.

 

 

Em conclusão:

Qualquer das Caminhadas na Serra do Gerês deve ser feita com todo o equipamento adequado e com as respectivas autorizações do Parque Nacional da Peneda Gerês.

Em primeiro lugar tenham sempre em atenção à meteorologia. Em segundo lugar façam estas caminhadas com quem conhece bem a montanha e respeitem os valores naturais e culturais do Parque.

 

Como pedir autorização para a realização de Caminhadas no Parque Nacional Peneda Gerês? 

As respectivas autorizações devem ser pedidas para o seguinte email :  pnpg@icnf.pt

Mais informações sobre pedidos e áreas condicionadas podem ser consultadas aqui